" (...) É que eu não sei dizer muito bem o que é sério demais, o que é perigoso e transbordante. É que eu sou movida a detalhes, eu sou movida à dor, daquelas que não dão espaço pra otimismo como nas decisões dos campeonatos. Eu só sei da dor que rende pensamentos vagos e distorce minha visão. Ei, eu não distorço suas palavras, não me acuse desse jeito. O que você faz comigo é o que eu faço quando me confundo. Quando vai abrir os olhos pra enxergar o que nem eu enxergo? E isso? Que se dane também?
Não vou exigir nenhuma força se eu não tenho isso pra oferecer... Mas é colorido e é incrível e é forte... Como almoçar com você, como ver você agoniada nos afazeres de casa, como esperar você pra dormir, como ver você escolhendo a toalha pro meu banho, como olhar você se perfumando, como observar o jeito que você fecha a janela, como ouvir você reclamando do lixo que sua irmã não levou pra rua, como consolar seu choro bonito de lágrimas invisíveis, como acertar que você vai passar a mão nos cabelos daquele jeito, como esperar pela largura do seu sorriso - me alivia, me enriquece, me deixa com nó na garganta.
E mesmo que doa, que tire o fôlego, enfraqueça, desfaleça e seja um conflito tempestuoso por dentro, eu já preciso de você - e não quero ter medo de precisar... Não hoje. Quando a saudade me invadiu o quarto com cheiro de mamãe-bebê".
(por meninasladob.blogspot.com)
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